A Física e o basquetebol fazem parte da tua vida há vários anos. Como começou esta ligação e o que representa hoje para ti vestir a camisola da Física?
A Física para mim começou pela patinagem, onde era muito feliz e gostava muito! Mas sabia que não era o desporto para mim, pensava que queria mais. Daí surgiu a paixão pelo basquetebol - veio da minha irmã porque passava a maior parte dos meus fins de semana a apoiá-la e a ver os jogos.
Desde logo senti que também queria ter a mesma experiência. A experiência de pertencer a uma equipa e saber o que é esse sentimento, a emoção de carregar um símbolo ao peito (que é enorme) e a emoção estar rodeada de colegas que me ajudam e inspiram.
Quando me apercebi que queria mesmo sentir a Física e sentir esta ligação era mesmo quando ia ver as equipas mais velhas. Saber que um dia poderia vir a ser como elas.
Hoje, estando nesse patamar, não poderia estar mais contente por nunca ter desistido e ter continuado porque aqui tenho realmente a minha segunda casa. E não existe nada mais importante que isso!
Depois de estares afastada devido a uma lesão, regressaste à equipa na época passada. Como foi esse regresso e o que aprendeste com essa experiência?
Foi muito desafiante e emocionante. Pensei muitas vezes em desistir... Mas aprendi que nunca o devemos fazer, por mais difícil que seja. O mais importante que aprendi foi a ouvir o meu corpo, quando devemos parar ou continuar. E saber as nossas dificuldades e o que queremos alcançar.
Foi um ano difícil mas tentei sempre acompanhar a equipa para todo o lado. Fui aos jogos e tentava sempre estar lá, mas a dor de saber que não poderia entrar em campo era grande. Talvez tenha sido a parte mais difícil da minha recuperação.
Por vezes vamos para os treinos sem vontade e mais cansados, mas agora olho para trás e penso que já estive nessa situação. É e foi a minha motivação para continuar a recuperar, para voltar bem e voltar a treinar bem.
Sou uma pessoa que quando põe uma ideia na cabeça não a consigo tirar e penso que essa força também me ajudou a nunca cair.
A equipa também sempre me motivou para nunca desistir e acho que esse foi o passo mais importante da minha recuperação.
Esta época decidiste vestir o número da tua irmã Beatriz, que durante vários anos também representou a Física. Que influência teve ela no teu percurso, dentro e fora de campo?
A mana é tudo para mim. Foi a pessoa que me influenciou a vir para o basquetebol, e a pessoa que mais me inspira todos os dias. Foi a pessoa que me ensinou a sentir a Física.
Dentro de campo era o meu apoio e fazia também às vezes um pouco de minha treinadora: ajudava me, apoiava me e nunca me deixava ir abaixo. Fora de campo é exatamente igual, está sempre pronta para ajudar e para rever o que corre mal e tentar resolver.
Agora que não está presente continuo a ligar lhe e a pedir conselhos para ser uma jogadora e um pessoa melhor.
Carregar o número dela e representá-lo é muito importante para mim. A mana vestia a camisola da Física com um sentimento que nunca vi ninguém sentir. Agora, estando eu a representar o número de alguém que foi tanto para a Associação, deixa-me com mais orgulho e responsabilidade.
Hoje sou a pessoa que sou graças a ela.
Para além de atleta, és também estudante universitária. Como consegues conciliar os estudos, os treinos, os jogos e a tua vida pessoal?
Não é fácil, porque estou a fazer mestrado e a exigência é maior. E
stou no mestrado de Data Driven Marketing ,com especialização em Marketing Digital, e o curso é todo em inglês.
É um esforço maior porque a cabeça pensa duas vezes mais. Fico mais cansada mas, como as minhas colegas de equipa bem sabem, eu sou muito obcecada com a organização. Por isso é que consigo conciliar tudo tão bem! Organizo-me semana a semana (com jogos e treinos) para conseguir ter dias suficientes para estudar e fazer trabalhos.
É desafiante porque é cansativo mas com a organização certa, consigo fazer as duas coisas. O mais importante é nunca deixar nada para trás.
Quem é a Joana fora das quatro linhas? O que gostas de fazer nos tempos livres e quais são os teus maiores sonhos ou objetivos para o futuro?
A Joana fora das quatro linhas é uma pessoa muito extrovertida, divertida e exigente. A Joana gosta muito de estar em todo o lado (como o arroz doce)! Gosto muito de passear, de estar em casa de amigos, familiares. Mas o que mais gosto de fazer é estar com o meu cão o Chapo. Brincar com ele e dar-lhe mimos.
Também sou uma pessoa muito dorminhoca e gosto de passar muito tempo deitada na cama a ver Friends, a jogar no iPad ou mesmo a ver filmes de terror (que adoro).
Como disse anteriormente sou uma pessoa muito organizada e arrumada, por isso um dos meus passatempos preferidos também é arrumar coisas.
Depois de tudo o que viveste nos últimos anos, que conselho darias a uma jovem atleta que esteja a atravessar um momento difícil ou a pensar desistir?
Penso que o maior conselho que posso dar é que sejam vocês mesmas, mesmo pensando em desistir.
Desistir nunca deve ser um tema. O tema deve ser "vou conseguir e vou ultrapassar". Insistir deve ser a melhor palavra para descrever tudo o que passei.