Quando, em 1925, nasceu a Associação de Educação Física e Desportiva de Torres Vedras, a prática de exercício físico estava longe de ser uma realidade acessível a todos. Numa sociedade marcada por baixos níveis de escolarização, convenções e preconceitos, particularmente no que respeitava à participação feminina, a Associação nasceu de uma preocupação humanista: proporcionar à população os benefícios da educação física, reconhecendo a importância do equilíbrio entre o corpo e a mente. Esta visão, sintetizada no lema Mens sana in corpore sano, encontrou expressão na promoção da ginástica, incluindo a participação de mulheres, numa época em que a sua presença nas actividades desportivas ainda não era socialmente consensual.
Em 1956, a classe feminina, embora reduzida, participou numa apresentação pública perante uma assistência pouco habituada a ver senhoras em festivais de ginástica. Uma década depois, os boletins da Física continuavam a apelar à participação feminina, procurando contrariar o desaparecimento destas classes. Mais do que episódios da história desportiva local, estes testemunhos reflectem uma preocupação com o acesso das mulheres à prática desportiva, reconhecendo no exercício físico um meio de promoção da saúde e do bem-estar. Uma visão que, ao contrariar os preconceitos da época, poderia também contribuir para a transformação das mentalidades e para a afirmação do lugar das mulheres no desporto.
Ao longo de um século, a Física manteve a promoção da saúde e do bem-estar entre as suas preocupações, alargando progressivamente a sua intervenção da ginástica aos serviços de reabilitação e às actividades físicas orientadas para a saúde, num percurso que encontra continuidade, hoje, no Espaço Saúde Física.
Neste Outubro Rosa, mês dedicado à sensibilização para o cancro da mama, recordar este percurso é também reconhecer a importância de uma cultura de prevenção, de cuidados de saúde e de valorização do corpo feminino.
Porque cuidar da saúde é também uma forma de exercer liberdade e autonomia.